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Mostrando postagens de 2016

Não fazemos amigos, os reconhecemos...

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Sabe aquela pessoa, que você esbarra em uma festa, começa a conversar e de cara se afeiçoa?! Depois você mantém o contato, e ao invés de se afastar, você se aproxima cada vez mais, descobrindo uma compatibilidade de almas, como se você já a conhecesse há muito tempo?! Você confia nela desde o primeiro momento, e não é algo racional, é alguma coisa de energia, de reciprocidade... Ela tem um abraço que acolhe a alma, que cura a dor, que envolve em uma doçura que só a sinceridade sabe oferecer. É algo realmente muito especial e também algo muito raro. Não sei explicar, mas sei que faz muito, muito bem. Sinto que ganhei uma amiga, uma irmã, alguém que veio pra somar e que sei que posso contar, que sabe ouvir e que acolhe sem julgar, que fica feliz com a minha felicidade e que me consola quando dói, e fico feliz em retribuir todo esse carinho. Em um mundo tão inflado de egos, alguém verdadeiro faz tão bem! Gratidão ao universo por ter me permitido essa experiência. Fon...

O meu amor, é meu...

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As vezes pensamos que amar é possuir. Exigimos que o outro faça as coisas como queremos, que se encaixe em modelos pré-programados, e quando o outro não se submete a isso, nos sentimos diminuídos, achamos que não há reciprocidade. Na verdade quem nos faz sofrer é o ego, que desejava se impor, ditar as regras e acabou se vendo de lado. O amor não tem nada a ver com isso. O desejo de controlar o outro não é amor, é sentimento de posse. E o amor passa longe da posse... Amar alguém é respeitar seus desejos e sua liberdade, é querer ver a pessoa bem e feliz, mesmo que longe, mesmo que com outra pessoa, é saber que ninguém pertence a ninguém e que a única forma de se manter unido é se as duas almas sentirem a necessidade uma da outra, sem cobranças ou imposições. Apesar da banalização da palavra, o amor é algo raro, só possível quando há maturidade de ambos os lados, quando existem duas pessoas inteiras e livres, tão seguras de si que se permitem, apesar de poder tocar o mundo, repousar u...

Liberdades que se encontram...

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Há algum tempo tive um sonho que me levou a despertar no meio da noite aos prantos... esse sonho possuía um conteúdo bastante particular e me levou a um insight muito importante e muito difícil de aceitar em um primeiro momento. Apesar de aceitar e concordar que na vida todos somos sozinhos, e que mesmo dividindo partes de nossas vidas com alguém, no final somos nós e nós mesmos, a compreensão profunda dessa verdade leva a dolorosa queda de uma ilusão. Passei por um período de luto, mas finalmente consigo lidar com essa verdade. No momento de nosso nascimento não há ninguém apontando o caminho ou nos guiando, ao longo de nossas vidas, encontramos guias, cuidados e parcerias, mas quando nos vemos adultos percebemos que no fundo somos nós e nós mesmos. Nossa forma de sentir e pensar o mundo é única, alguns tornam mais leve a passagem por essa experiência, mas é uma ajuda, afinal somos nós e nós mesmos. Pode parecer algo duro de se pensar, mas essa ideia apresenta algo muito bonito...

Lapidar-se

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Há tempos queria escrever algo sobre o amor, sobre o fato do verdadeiro amor ser baseado no respeito ao outro, ao seu ser e sua liberdade, mas percebi que é impossível falar em amor ao outro sem antes falar do amor próprio. É impossível amar alguém verdadeiramente sem antes amar a si próprio, e não falo apenas em amor romântico, mas de toda forma de amor. Percebi ao longo dessa experiência que ao aceitar quem somos, com defeitos e qualidades, abraçando cada característica, sem negá-la, podemos nos amar e assim evoluir e melhorar enquanto seres humanos. Toda vez que negamos um sentimento, nos recriminamos por uma atitude ou nos odiamos por algo que pensamos, permitimos que aquele comportamento volte a se repetir, pois simplesmente o negamos, e assim não nos possibilitamos resolvê-lo. Por outro lado, por mais difícil que seja, quando observamos nossas atitudes e pensamentos, e agimos com compaixão por nós mesmo, acolhendo aquilo que sentimos, fazemos ou pensamos, compreendendo que é a...

Entrega...

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A manhã parecia um sonho, envolvida em neblina... a ilha, um lugar de contos fantásticos, submersa em um branco sem fim. Como costumo fazer pelas manhãs, fui caminhar na praia, no entanto minha visão estava limitada a um raio de 10 metros. Não havia possibilidade de saber se havia alguém mais adiante, se estava longe ou próxima aos morros que marcam o final da praia, apenas ouvindo o som do mar, vendo as ondas que quebravam perto de onde estava e aquela espessa neblina branca... Percebi o quanto estava só, mas isso em nada me perturbou, pelo contrário, me senti bem, me senti livre... Olhando para trás, observei que não havia como enxergar os pontos pelos quais já havia passado, pois já haviam sido engolidos pela neblina, só o ponto onde eu me encontrava estava visível, nada do que já havia passado, e nada do que estava por vir era claro... foi então que comecei a perceber a beleza filosófica desse momento. Nossa vida segue da mesma maneira, o caminho que percorremos e que nos trou...

Escolha

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Fonte imagem:   https://pixabay.com/static/uploads/photo/2014/02/19/22/51/horror-270304_960_720.jpg Na varanda há brisa, flores, um lindo nascer do sol... No horizonte há o mar, o céu azul, há pássaros... No parque há crianças brincando, casais felizes e apaixonados... Há solidariedade e beleza, há amor e compaixão... No entanto estamos cegos. Criamos lentes enegrecidas pela fuligem de nosso próprio veneno, que apenas refletem a nós mesmos. Não dialogamos com o outro, com o que está para além de nós, apenas conseguimos observar nossa imagem refletida por uma lente de podridão, apenas vemos a nós mesmos, distorcidos e tortos em uma feiura travestida de perfeição. Respondemos ao eco que se expande dentro de nosso lodo interior... nunca ao outro, ao mundo. A beleza permanece desconhecida, por toda vida, e até mais... O Ego é tudo que nos resta, como uma sombra que ocupa todos os espaços, silenciando-os. É o assassino, ou melhor, o suicida silencioso d...

Religiosidade sem religião... O deus que há em você!

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Outro dia alguém me perguntou “qual a sua religião?” Minha resposta foi e tem sido... Sou de formação católica... Mas acredito que preciso aprofundar uma pouco melhor essa resposta. Sim, minha formação ocorreu toda dentro da tradição católica, com catequese, participação assídua em celebrações, festas, teatros e tudo mais que nossa comunidade se propunha a realizar dentro do âmbito religioso. Vivíamos na igreja e em comunidade, a qual se organizava em torno de uma religião. Foi uma formação sólida e feliz, encontrei acolhimento e pude crescer de maneira saudável. No entanto com o passar dos anos muitos questionamentos foram surgindo, em partes por minha natureza curiosa, em partes devido a formação que escolhi. Sempre questionei os valores que eram apresentados a mim, se eram válidos, qual sua finalidade... Muitos dos valores tradicionais não se encaixavam em minha maneira de pensar o mundo, e os neguei... Quando optei pelo curso de história, meu leque de observação se ampliou signi...

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Ao optar por me afastar de meu porto, sabia que enfrentaria dias difíceis, tempestades, grandes ondas... olhar para dentro de si, abandonando ilusões que sustentaram  parte da vida, é um exercício bastante doloroso. Acredito que nunca me senti tão só quanto me sinto agora. Não pelo afastamento dos entes queridos, esses eu sei que sempre estarão comigo... e na verdade gosto de minha própria companhia, mas me refiro a alguns seres irreais que criei, e sempre estiveram ali, a sorrir, fazendo parecer que tudo era apenas uma questão de tempo, e que um dia ficaríamos juntos. Esses seres me levaram a me afastar e a negar os seres reais, que nunca eram tão bons quanto aqueles da minha mente. Esse afastamento voluntário tem me permitido o tempo e o distanciamento necessários para que eu reflita, observe, analise e com calma chegue a conclusões... assim, pouco a pouco fui removendo os véus, um a um, e no final, restava apenas eu. Me senti tão frágil, um oco se abriu em meu peito. Idea...

Mãe, uma relação...

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Foi através de você que passei a existir. Não foi pequeno o tempo por você dedicado com cuidados e ensinamentos para que eu crescesse com saúde e me desenvolvesse, e eu enquanto criança via em você segurança e proteção. Sabia que ao seu lado eu poderia descansar em paz e que em seu toque encontraria aconchego. Lembro do som de sua voz, a melodia mais doce que poderia existir no mundo, que embalava meu sono, o qual chegava tranquilo, por que você estava ali. Seu cheiro, o melhor cheiro do mundo, o qual mais tarde descobri que não havia em nenhum perfume, pois era apenas seu. Seu toque mágico, que curava qualquer dor ou tristeza... O tempo foi passando, de criança, me tornava mocinha... Aos poucos meu mundo mudava de perspectiva, e estranhamente aquele que parecia ser meu porto seguro ia se tornando uma espécie de inimiga. Cheia de regras, de ciúmes, de limitações. Parecia que você não queria minha felicidade e eu sentia que seu objetivo era que eu fosse exatamente igual a você, qu...

Um novo olhar...

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Há tempo não escrevo, de minha última postagem até agora foram inúmeras experiências e aprendizados... Como mencionei em minha última postagem, decidi viver uma experiência nova, me afastando de tudo aquilo que era conhecido e cotidiano para poder me conhecer melhor e explorar outras faces dessa existência, passando a viver em uma Ilha. Um paraíso com sabor de interior, mas de certa forma cosmopolita, por receber turistas dos mais diversos lugares. Meus dias são divididos entre trabalho (leciono na escola estadual que existe na Ilha), longas caminhadas, meditação, yoga, afazeres domésticos (como cozinhar e lavar roupas), além de conviver com bichinhos de estimação os quais peguei de empréstimo de seus donos e são uma doce companhia. Já me sinto um pouquinho parte desse lugar. Optei por deixar meu carro com meus pais, assim minhas viagens para casa acontecem através de um barco e de dois ônibus, e para alguém que sempre detestou esperar, a espera tem sido um aprendizado... Nessas v...

"Diário de uma náufraga, dia 17"

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Há 17 dias estou experimentando uma nova realidade, e apesar da brincadeira do título, é fruto de uma escolha, pensada ao longo de um bom período...  Vivo em uma ilha, na qual não há estradas, apenas trilhas, carros não existem aqui e a única forma de chegar ao continente é através de barcos, os quais possuem horários definidos para se deslocarem. Os dias têm passado rápido, e embora a princípio eu não conhecesse ninguém, agora já reconheço diversas faces em meio a população local, que não chega a somar 2.000 pessoas. A natureza aqui é preservada e há praias que não possuem qualquer construção. São paisagens maravilhosas, de tirar o fôlego. A cada dia o mar se apresenta de uma maneira diferente, a lua é sempre observada e a vida corre em um ritmo diferente, mais ligada a natureza e a seus ciclos. Apesar destas características, todos os dias encontro pessoas dos mais diversos lugares, brasileiros e estrangeiros, que buscam a ilha como opção de lazer, e com eles tenho aprendid...

Porque me tornei vegetariana

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Mais uma vez estamos na quarta feira de cinzas, e se repete algo que é tradição entre os cristãos, hoje é dia de não comer carne... Por quê? Talvez grande parte dos que seguem a tradição nem saibam ao certo o motivo... Há aproximadamente 4 meses decidi parar de comer carne, não por tradição ou porque alguém tenha me pedido, mas por uma decisão profunda, amadurecida em um longo tempo. Me recordo que ainda bastante pequena me peguei a questionar se seria correto sacrificar um animal para ingerir sua carne, na época a ideia bíblica de que Deus havia criado os animais para nos servirem de alimento bastou, no entanto uma sensação desagradável em relação ao tema tornou a se apresentar de tempos em tempos. Sempre que observava um caminhão transportando animais para o abate, ou que observava os animais no pasto, que brincava com meu cachorro (não, nossa cultura não se alimenta de carne canina, mas enquanto animal, minha reflexão levava a questionar o porquê uns são para comer e outros par...

Deixar ir...

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Essa é uma decisão muito difícil, que leva a contradições, a falta de certezas sobre a atitude mais correta. No entanto se algo ou alguém nos magoa, nos faz sentir mal, a melhor atitude é deixar ir. Difícil é pensar em tudo que passou, todos os momentos, todas as lembranças e ficar com aquela sensação de “até que ponto tudo isso foi verdadeiro”? No fundo sei que foi, mas sei que tudo que havia para ser dividido e trilhado ficou em algum momento do passado. Naquele momento em que nossos caminhos começaram a se distanciar. Será que mudamos tanto? Será que foi a vida que nos levou para caminhos diferentes? Não sei exatamente em que ponto as coisas começaram a se modificar, mas sei que hoje me parece sensato deixar ir. Só tenho a agradecer pela cumplicidade e amizade, que acredito, foi a melhor que pode dar; como também acredito que dei o meu melhor, mas cansei...    Desejo-lhe um caminho feliz, que encontre o que busca e que em algum lugar do futuro tudo isso se...

Crise dos 30?

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Estaria eu vivendo a tal crise dos 30 anos? Acho que tentar definir o que sinto, simplesmente usando uma palavra, seria no mínimo reducionista... Sei que não sou mais uma menina, preciso me descobrir, saber quem sou, abandonar alguns laços, costumes e hábitos, para construir algo profundamente meu. Para conseguir “desabrochar” em minha maturidade, acredito que preciso me distanciar – ao menos por um tempo – de algumas coisas que me prendem, as quais muitas vezes nem consigo perceber. Sei que me afastar do conforto e comodidade que possuo vai significar certas dificuldades, mas sei também que o crescimento só vem através delas... Sinto um frio na barriga ao pensar em todas as mudanças que estão por vir, mas não consigo nem imaginar permanecer no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas... Parece que se eu decidir ficar, estarei abrindo mão de mim mesma, e entrando em um conformismo sombrio, que vai corroer minha criatividade e meu eu. Preciso respirar novos ares, ficar um temp...

Reverência à vida. Caminhando com minhas mães

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Estar de férias é algo realmente maravilhoso, é o momento do ano em que podemos parar para respirar, examinar com calma o rumo que as coisas vem tomando, fazer coisas que demandam tempo e mente leve, o que nem sempre é possível em períodos de trabalho. Uma das coisas que tenho me permitido fazer é caminhar pelas manhãs (é... 9:00 hrs ainda é manhã), coisa que seria impossível durante os dias de trabalho. Minha companhia é a melhor possível, além de minha mãe (pessoa que amo muito...), a irmã dela, minha tia, ou melhor, minha segunda mãe, tem me acompanhado. A melhor parte de tudo isso não é a atividade física, o ar fresco da manhã, ou a chance de construir um novo olhar sobre nossa cidade. Sem dúvidas, o melhor de tudo, é poder estar com elas e dividir experiências, ideias, problemas, ou simplesmente observá-las. Elas são as responsáveis por grande parte de quem sou, percebo muito delas no meu jeito de falar, andar, na minha forma de observar o mundo. Também percebo claramente a her...