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Do Ego ao Ser

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A vida tem seus caminhos, eles são tão simples que num primeiro momento nos negamos a enxergar. Precisamos caminhar por diversos lugares até perceber que sempre estivemos onde precisávamos estar, que tínhamos tudo que precisávamos ter... A grande maioria de nossos problemas, senão a sua totalidade, estão centrados em um ponto que chamamos de Ego. Palavrinha curta, mas que resume boa parte de nós... O Ego é aquilo que a maioria das pessoas chama de eu. O que gosto e o que não gosto, coisas com as quais me identifico e as que não reconheço... e ao longo de nossas vidas fazemos de tudo para sermos reconhecidos e aceitos, para que nosso Ego seja reconhecido e admirado pelos outros... Penso que o papel do Ego seja nos ajudar a crescer, ele é moldado dentro de um grupo social, e ao responder aos seus estímulos, identifica-se. Com a ajuda do Ego vamos abandonando nosso lado essencialmente animal, ele nos conduz no caminho da socialização... No entanto chega um momento em que as princi...

Reflexos em espelhos...

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Vivemos em um momento de certezas... Certezas tão plenas e tão profundas que enfrentamos quem quer que seja em nome dessas tão indiscutíveis certezas. De onde elas surgiram? Ah, essa resposta ninguém sabe ao certo, mas foi em algum ponto entre as opiniões de nossos pais (ou sua negação), as pessoas que admiramos e nossa formação, tenha sido ela qual for... O que me dá o respaldo de que a minha verdade é mais verdadeira que todas as outras? Bom, ela é minha, e sendo assim é a única que reconheço como válida... Mas como faço para impor a minha verdade aos outros, já que eles, pobres inocentes e desavisados não conseguem ver o que está tão óbvio? Posso fazer sutis afirmações, mas se essas não forem rapidamente assimiladas, aí parto para uma fala mais agressiva e se essa pessoa não se converter a essa verdade, bom, aí sinto muito, mas será meu inimigo. Sabe como é, existem pessoas com as quais não vale a pena ter o menor contato, são tão ignorantes que o melhor mesmo ...

Como nossos pais: uma reflexão sobre gênero

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Embora tenha estudado sobre gênero, me encantado com Simone de Beauvoir, e percebido que o tema é muito relevante para nossa formação, apenas há pouquíssimo tempo consegui perceber em profundidade o quanto uma formação machista afetou quem eu sou... Sou a filha mais nova de dois irmãos homens, quando pequena eu arrumava a cama de meus irmãos, e era formada para pensar o mundo dividido em coisas de homem e coisas de mulher. Minha mãe, como boa esposa, servia meu pai, se preocupando com seu bem estar, esquecendo-se de si para se doar a ele, a nós e ao lar. Eu nunca me enquadrei nesse mundo tão opressor, sempre contestei essas divisões e não me submetia a esse modelo; o que me rendeu na infância o título de pessoa que gosta de “dar o cano” no trabalho, de não enquadrada, de esquisita... Não achava justo as coisas como eram e não entendia porque eu tinha que ser uma escravinha do lar, enquanto meus irmãos gozavam de uma liberdade muito maior que a minha. Hoje, tentando compreend...

Meu tempo parou

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Não exatamente por minha vontade, embora eu soubesse que só existe o agora... Não por um planejamento ou desejo, compreensão ou complexidade Simplesmente o tempo parou Primeiro a queda, Depois um leve pulsar, e então a compreenção de que não há outra saída, Resignei-me no agora Não há ontem, nem amanhã, Não há depois. Não é mais possível regressar,    Nem tampouco projetar o que ainda não há. Simplesmente, o existir no momento em que se está. E ser plenamente o que se é, Maravilhosamente... 

Maturidade

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E eis que uma certa maturidade chega, ao seu ritmo, ao seu tempo, desvelando coisas que eram ignoradas por toda a vida, auxiliando a colocar cada coisa em seu lugar. Uma grande arrumação acontece, velhos baús são abertos, velhas cartas relidas e depois de um momento de nostalgia, queimadas. Sentimentos conduzidos por toda uma vida, se vão. Dores suavizam, entendimentos se fazem e renovam o olhar daquilo que um dia foi. A vida se torna mais leve. A paz se torna maior. Graças ao que foi, aceitação ao que virá, tudo é, mas nada permanece igual, a cada paço um novo aprendizado. O sofrimento e a dor, antigos vilões, vão se tornando mestres, valorizados e venerados, por fazer ver além. Aquilo que foi não é mais... deixar ir é um duro aprendizado, mas possui um grande poder de libertação. Aceitar que cada ser tem seu caminho e que os caminhos se cruzam vez ou outra para nos ensinar algo, e assim que aprendemos a lição, é hora de partir... Respeitar cada ser pelo que é, compreendend...

Artimanhas... Pedofilia, zoofilia e arte?

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Após acompanhar as polêmicas que surgiram com a exposição do Santander, Queermuseu, e logo em seguida com a apresentação do artista Wagner Schwartz, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, me peguei a refletir sobre o assunto. Muitas pessoas estão chocadas e com grande dificuldade em realizar uma reflexão mais profunda sobre o tema, sobre o papel da arte. De uma maneira geral a arte é pensada como decorativa e agradável, o grande público não costuma visitar museus e exposições, e assim essa noção vai sendo reproduzida. Vez ou outra uma exposição ou uma obra específica acabam ganhando maior repercussão, aparecendo nas diversas mídias, como o que ocorreu com as citadas acima. Penso que a exposição do Queermuseu,  ao debater sobre gênero e sexualidade,  ao invés de promover zoofilia e outras perversões, trouxe para o debate tais temáticas, obrigando as pessoas a olharem para algo que infelizmente ocorreu e ocorre. Observando o espanto geral me parece que é mais vexatório ob...

Paz

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Não tenho qualquer dúvida de que esse estado de espírito é buscado por todos, mas que por ignorância, o buscamos nos lugares errados. As vezes parece que os outros tiram nossa paz, e para defendê-la “precisamos fazer uma guerra”... precisamos nos defender. Somos enfáticos, mantemos nossa posição a qualquer custo! Não cedemos. Aí, no instante seguinte, vem uma enxurrada de sensações... raiva, culpa; revolta por ter sido magoado, tristeza por ter magoado, uma sensação de medo por estar em dívida com o outro... para tentar remediar o mal que fizemos, nos “escravizamos”, sentimos a necessidade de atender as solicitudes e angústias daquele a quem ofendemos, buscamos saudar nossos débitos, buscamos cobrar o que nos devem e assim nossas relações passam a ser pautadas pela culpa e pela cobrança e não pela gratuidade e espontaneidade, sendo um eterno conflito e enfrentamento. Penso que a melhor maneira de reagir a um “ataque”, a uma divergência de opinião ou discórdia, nunca seja o enf...