Artimanhas... Pedofilia, zoofilia e arte?

Após acompanhar as polêmicas que surgiram com a exposição do Santander, Queermuseu, e logo em seguida com a apresentação do artista Wagner Schwartz, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, me peguei a refletir sobre o assunto. Muitas pessoas estão chocadas e com grande dificuldade em realizar uma reflexão mais profunda sobre o tema, sobre o papel da arte. De uma maneira geral a arte é pensada como decorativa e agradável, o grande público não costuma visitar museus e exposições, e assim essa noção vai sendo reproduzida.
Vez ou outra uma exposição ou uma obra específica acabam ganhando maior repercussão, aparecendo nas diversas mídias, como o que ocorreu com as citadas acima.

Penso que a exposição do Queermuseu, ao debater sobre gênero e sexualidade, ao invés de promover zoofilia e outras perversões, trouxe para o debate tais temáticas, obrigando as pessoas a olharem para algo que infelizmente ocorreu e ocorre. Observando o espanto geral me parece que é mais vexatório obrigar a sociedade a se observar do que o próprio ato em si. Nesse ponto, a arte choca e nos obriga a olhar e discutir temas que preferimos fingir que não existem.

Outro caso polêmico foi a apresentação de Wagner Schwartz, que chocou muitas pessoas por apresentar um homem nu, o qual foi tocado pelo público, em uma proposta de interação com o artista. Acredito se tratar mais uma vez de incompreensão. Mas quais as intenções da performance? Penso que a arte coloca em debate algo que nos negamos a ver. Neste caso a nossa relação com o corpo, a vulnerabilidade do ser, o corpo além do sexo. Um corpo nu é apenas um corpo nu, ele não é erótico, a não ser que eu prefira vê-lo assim. Ao nascer a criança vem ao mundo nua, e sua mãe sofre dilatações para que o bebê possa nascer, e isso não é sexualizado. Ao crescermos somos ensinados a negar a imagem de nosso próprio corpo, qualquer referência a ele já é associada a perversão, a erotização e incutimos tabus e olhares específicos, não conseguindo observar nada além. O corpo é muito mais que o sexo...


Penso que cada pessoa é livre, e assim pode decidir visitar ou não uma exposição, concordar ou não com uma análise ou uma ideia, e mesmo sem a intenção de visitar as exposições citadas, defendo veementemente o direito delas existirem. 

Fonte imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjzpVxh-lRSyK9EDh0vIHx-8lxOq1MoyOWlGTBlUAqBpsTP4vvIXYoaHeZySbl0mxFwQR_QgNooBMjgk0IpT0JsxcoddMNQSlflnOcy6GJiAy0mXNGUcF6Lo8MN5w8U0CJeTNuPQpfOjsTX/s1600/mordaca3.jpg

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