Como nossos pais: uma reflexão sobre gênero
Embora tenha estudado sobre gênero, me encantado com Simone de Beauvoir, e percebido que o tema é muito relevante para nossa formação, apenas há pouquíssimo tempo consegui perceber em profundidade o quanto uma formação machista afetou quem eu sou... Sou a filha mais nova de dois irmãos homens, quando pequena eu arrumava a cama de meus irmãos, e era formada para pensar o mundo dividido em coisas de homem e coisas de mulher. Minha mãe, como boa esposa, servia meu pai, se preocupando com seu bem estar, esquecendo-se de si para se doar a ele, a nós e ao lar. Eu nunca me enquadrei nesse mundo tão opressor, sempre contestei essas divisões e não me submetia a esse modelo; o que me rendeu na infância o título de pessoa que gosta de “dar o cano” no trabalho, de não enquadrada, de esquisita... Não achava justo as coisas como eram e não entendia porque eu tinha que ser uma escravinha do lar, enquanto meus irmãos gozavam de uma liberdade muito maior que a minha. Hoje, tentando compreend...